9 de setembro de 2020

Procura por imóveis maiores e mais confortáveis cresce durante pandemia

Plataforma digital que negocia imóveis mostra que o número de pessoas em busca por imóveis com quatro quartos aumentou 58%.

Fonte: G1/Jornal Nacional 

A pandemia do novo coronavírus tem mudado os hábitos de muitos brasileiros. Agora, com a possibilidade de home office, é cada vez mais comum ver pessoas transferindo o local de trabalho e estudos para dentro de casa. Tal mudança mexeu com o mercado de imóveis no país.

Antes, quem procurava imóvel para alugar queria ficar perto de comércio, da escola, do trabalho ou de meios de transporte que facilitassem as idas e vindas, ainda que isso custasse viver com uma família inteira em espaços apertados. Hoje, a procura é por um lugar com mais espaço e conforto, ainda que distante dos grandes centros.

A publicitária Aline Faber Hassi sentiu esta transição de perto. Com o trabalho e a escola de sua filha, Alice, sendo feitos de casa, o apartamento onde moravam ficou pequeno e a solução foi procurar uma casa. “Era um lugar que a gente ia para dormir, basicamente. Então vai deixando, vai deixando e aí, na quarentena, por ficar 24 horas dentro do apartamento, várias coisas começaram a incomodar muito”, conta.

E, como a Aline, muita gente também resolveu mudar de casa. Uma plataforma digital que negocia imóveis em 30 cidades das maiores regiões metropolitanas do Brasil percebeu essa mudança. A ferramenta revela que o número de pessoas em busca por imóveis com quatro quartos aumentou 58%; por três quartos, 9%. Já a procura pelos menores diminuiu. Para os de dois quartos caiu 22%, e para um quarto, despencou 37%.

“Eles não estão perdendo a atratividade. Existe ainda uma demanda muito grande. É que houve um reequilíbrio de forças. Passou a ser importante ter um espaço mais bem arrumado para você trabalhar em casa e até ter um lazer ali para você passar mais tempo em casa”, explica José Osse, diretor de Comunicação.

Segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), a pandemia trouxe outra mudança. Com a crise econômica, muitos inquilinos procuraram os proprietários para renegociar o valor do aluguel. No referido estado, por exemplo, mais da metade pediu renegociação de valores em julho. “Mais de 90% das renegociações foram amigáveis, sem precisar ir à Justiça. Houve um entendimento da gravidade do momento”, diz Basílio Jafet, presidente do Secovi-SP.

Foi o caso do empresário Felipe Oliveira, que precisou renegociar, em abril, o valor do aluguel e conseguiu 30% de desconto por três meses. Ajuda que, segundo ele, fez toda diferença. “Quando voltou, ele perguntou: ‘você quer mais? Mais alguns meses.’ A gente falou: ‘cara, não precisa’. As coisas estão voltando, também não é certo com você a gente continuar te penalizando, sendo que você me ajudou. Então, voltou ao normal. E praticamente o contrato está normal de novo”, conta.

9 de setembro de 2020

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